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A Fazenda do Macaco

A Fazenda do Macaco era muito extensa, tinha sua maior parte arrendada aos portugueses Manuel de Araújo, Leonor Fonseca e João Gomes.

Por motivo de problemas na Corte Portuguesa, os bens da Companhia de Jesus foram confiscados e incorporados à Coroa Lusa. A Fazenda do Macaco, incluída nesses bens, passou a pertencer à Coroa. Com essa medida, foram suspensos os arrendamentos e, por conseguinte, suspensa a produção de cana, o que levou a Fazenda do Macaco a ficar abandonada, a partir de 1761. Em suas terras só se caçava e colhiam frutos, aliás, abundantes na região.

Em 1822, com a proclamação da Independência do Brasil, a Fazenda do Macaco foi incorporada ao acervo do Império Brasileiro.

D. Pedro I, amante da natureza, frequentemente fazia seus passeios a cavalo e caçava naquelas terras onde, dizia ele, recuperava suas energias.

D. Pedro fica viúvo de D. Leopoldina em 1826. Incumbe, então, o Marquês de Barbacena de lhe conseguir uma noiva na Europa. E, assim, depois de algum tempo o marquês anuncia a D. Pedro que a princesa bávara Amélia de Leuchtenberg aceitara o casamento. A princesa Amélia era netaO casamento realizou-se por procuração. Entre os inúmeros presentes de núpcias destacou-se o que D. Pedro deu à esposa, a Fazenda do Macaco, por considerá-la bela, sua preferida e cheia de flores. de Josefina, primeira esposa de Napoleão Bonaparte.

DEBRET, Jean-Baptiste. Segundo casamento de D. Pedro I com a princesa Amélia de Leuchtenberg

Alegres anos se passaram, e a Fazenda do Macaco, com a partida de D. Pedro e sua esposa para a Europa em 1830, novamente ficou abandonada, ninguém se interessando por ela, pois se tratava de uma área rica em cursos de água, sujeita a inundações que inutilizavam as plantações.

Depois, novos interesses surgiram e foi planejada e executada uma retificação no rio Joana, que diminuiu as enchentes, estimulando assim a ocupação das áreas da Fazenda.

Preocupado com o povoamento acelerado e desordenado do território da Fazenda do Macaco, em 1859 o Conselheiro Joaquim Pereira de Faria determinou que fossem inventariadas as terras e as benfeitorias ali existentes. De acordo com o estudo, o comprimento da herdade foi fixado em 2.420 metros, do portão da entrada até à testada da mesma na entrada do Engenho Novo (antigo caminho do Cabuçu, atual Rua Barão do Bom Retiro), não sendo possível estabelecer a largura, muito variável, por falta de um ponto de referência adequado, embora o rio Joana de um lado e a serra do Engenho Novo, do outro, pudessem ser considerados como tal.

Em 1870, o Major Moshek fez o levantamento cartográfico da área, indicando a principal via de acesso da Fazenda, a Rua do Macaco, atual Boulevard 28 de Setembro. Daí partiam inúmeros caminhos que mais tarde se transformaram em ruas importantes no bairro.

Em 187l, João Batista Viana Drummond, natural de Minas Gerais, pressentindo os bons resultados do monopólio comercial da área, procurou o Ministro do Império, Conselheiro João Alfredo Corrêa de Oliveira, e solicitou que lhe fosse concedida autorização para instalar uma linha ferro carril ligando o centro da cidade à Fazenda do Macaco.

Por essa época, a Estrada de Ferro D. Pedro II já havia inaugurado as estações de São Francisco Xavier e Engenho Novo, tornando a área mais atraente. Foi, então, que Drummond propôs à Corte a compra da Fazenda, o que se deu em 3 de janeiro de 1872, conforme documento que se encontra no Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro.

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